Recolhimento
Às vezes, quando tudo a seu redor parece ruir; o melhor a ser feito é fechar seus olhos.Às vezes, quando todos parecem falar do que não conhecem o daquilo que não entendem; o melhor a ser feito é fechar os seus ouvidos.
Às vezes, quando você já deixou claro todos os pontos que não concorda; o melhor a ser feito é calar-se.
Às vezes, quando você está ferido demais com tudo o que ocorre ao seu redor; o melhor a ser feito é não sentir mais.
E então, após dias, semanas, meses, ou talvez anos; você despertará.
Abrirá os olhos e verá coisas que os demais não vêem, ou talvez vejam, mas são incapazes de interpretar.
Abrirá os ouvidos e ouvirá coisas que nenhum outro ouviu, ou talvez ouçam,mas são incapazes de entender.
Falará novamente com palavras jamais vistas, ou talvez com as mesmas palavras, mas com uma paixão fora do comum.
Sentirá mais uma vez, talvez aquilo que outros deixaram de sentir.
Ponto de Espera
Você ousa ficar fora? Você ousa entrar?Quanto pode perder? Quanto pode ganhar?
E se entrar, deve virar à direita e três quarteirões?
Ou nem tanto?
Vai ficar tão confuso que vai começar a correr.
Em estradas curvas e longas em passo acelerado.
E vagar por milhas em lugares estranhos e selvagens.
Em direção, temo eu, ao lugar mais inútil: o lugar de esperar.
Para pessoas que só esperam.
Esperando um trem partir ou um ônibus chegar.
Ou um avião partir ou a correspondência chegar.
Ou a chuva parar ou o telefone tocar.
Ou a neve parar.
Ou esperar por outra chance.
Menestrel [Willian Shakespeare]

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança, e começa a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo, e aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais, e descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida; aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida, e que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que eles mudam; percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar-se com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde se está indo, mas se você não sabe para onde está indo qualquer lugar serve.
Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se; aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elasdo que com quantos aniversários você celebrou; aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha; aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens; poucas coisas são tão humilhantes... e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando se está com raiva se tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores, e você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
Descobre que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.
A Origem da Burrice Nacional [texto de Olavo de Carvalho]
Repetidamente um fenômeno tem chamado a atenção de professores estrangeiros que vêem lecionar no Brasil: por que nossas crianças estão entre as mais inteligentes do mundo e nossos universitários entre os mais burros? Como é possível que um ser humano dotado se transforme, decorridos quinze anos, num oligofrênico incapaz de montar uma frase com sujeito e verbo? É fácil lançar a culpa no governo e armar em torno do assunto mais um falatório destinado a terminar, como todos, em uma nova extorsão de verbas oficiais. Difícil é admitir que um problema tão geral deve ter causas também gerais, isto é, que não pertence àquela classe de obstáculos que podem ser removidos pela ação oficial, mas àquela outra que só nós mesmos, o povo, a "sociedade civil", estamos à altura de enfrentar, não mediante mobilizações públicas de entusiasmo epidérmico, e sim mediante a convergência lenta e teimosa de milhões de ações anônimas, longe dos olhos turvos da nossa vã sociologia.
Ora, a condição mais óbvia para o desenvolvimento da inteligência é a organização do saber.
Nossas energias intelectuais mobilizam-se mais facilmente em torno de uns poucos núcleos de interesse fortemente hierarquizados do que numa dispersão de focos de atenção espalhados no ar como mosquitos. Discernir o importante do irrelevante é o ato inicial da inteligência, sem o qual o raciocínio nada pode senão patinar em falso em cima de equívocos. Se, porém, cada homem tivesse de realizar por suas forças essa operação, reduzindo a um esquema quintessencial de sua própria invenção a totalidade dos dados disponíveis no ambiente físico, milhões de vidas não bastariam para que ele chegasse a obter um começo de orientação no mundo. A cultura, impregnada na sociedade em torno e resultado de sucessivas filtragens da experiência acumulada, dá pronto a cada ser humano um quadro dos ãngulos de interesse essencial, de modo que não resta ao indivíduo senão operar nesse mostruário um segundo recorte, em conformidade com os seus interesses pessoais.
Quando digo que a cultura está impregnada na sociedade em torno, isto significa que a seleção dos pontos importantes transparece na organização das cidades, nos monumentos públicos, no estilo arquitetônico, nos museus, nos cartazes dos teatros, na imprensa, nos debates entre as pessoas letradas, nos giros da linguagem corrente, nas estantes das livrarias e, last not least, nos programas de ensino.
Quem quer que desembarque num país qualquer da Europa ou em alguns da Ásia já obtém, por um primeiro exame desse mostruário, uma visão bem clara dos pontos de interesse mais permanente, que constituem uma espécie de fundo de referência cultural, bem distinto dos focos de atenção mais atual e momentânea que se recortam sobre esse fundo sem encobri-lo.
Só de andar pelas ruas, o cidadão aí pode enxergar os marcos que o situam num lugar preciso do mapa histórico, desde o qual ele pode medir quanto tempo as coisas duraram e qual a sua importância maior ou menor para a vida humana.
Se ele olha para os cartazes dos teatros, nota que certas peças estão sendo reencenadas este ano porque são reencenadas todos os anos, ao passo que outras, que fizeram algum sucesso no ano passado, desapareceram do repertório. Basta isto para que ele adquira um senso da diferença entre o que importa e o que não importa.
Ao entrar em qualquer livraria, o contraste entre as estantes onde estão sempre expostos os mesmos títulos essenciais e aquelas onde os lançamentos mais recentes se revezam mostra-lhe a diferença entre o patrimônio escrito de valor permanente e o comércio livreiro de alta rotatividade.
Na escola, ele sabe que vai aprender certas coisas que seus pais, avós e bisavós também aprenderam, e outras que são novidade e que talvez terão desaparecido do currículo na geração seguinte.
Tudo, em suma, no ambiente plástico e verbal contribui para que o indivíduo adquira, sem esforço consciente, um senso de hierarquia e de orientação no tempo histórico, na cultura, na humanidade.
No Brasil isso não existe. O ambiente visual urbano é caótico e disforme, a divulgação cultural parece calculada para tornar o essencial indiscernível do irrelevante, o que surgiu ontem para desaparecer amanhã assume o peso das realidades milenares, os programas educacionais oferecem como verdade definitiva opiniões que vieram com a moda e desaparecerão com ela. Tudo é uma agitação superficial infinitamente confusa onde o efêmero parece eterno e o irrelevante ocupa o centro do mundo. Nenhum ser humano, mesmo genial, pode atravessar essa selva selvaggia e sair intelectualmente ileso do outro lado. Largado no meio de um caos de valores e contravalores indiscerníveis, ele se perde numa densa malha de dúvidas ociosas e equívocos elementares, forçado a reinventar a roda e a redescobrir a pólvora mil vezes antes de poder passar ao item seguinte, que não chega nunca.
Nesse ambiente, a difusão das novidades intelectuais, em vez de fomentar discussões inteligentes, só pode atuar como força entrópica e dispersante. Não há nada mais consternador do que uma inteligência sem cultura, despreparada, nua e selvagem que se nutre do último vient-de-paraîte e arrota uma sucessão de perguntas cretinas onde a sofisticação pedante do raciocínio se apóia na mais grosseira ignorância dos fundamentos do assunto. Acrescente-se a esses ingredientes a arrogância juvenil estimulada pelas lisonjas demagógicas da mídia, e tem-se a fórmula média do estudante universitário brasileiro. É impossível discutir com ele. Quando a mente assim deformada entra a produzir objeções numa discussão, seu interlocutor culto e bem intencionado, se não é muito enérgico no emprego da vara-de-marmelo, leva desvantagem necessariamente: quem pode vencer um debatedor tenaz que, confiante na aparente correção formal do seu raciocínio, está protegido pela própria ignorância contra a percepção da falsidade das premissas? Com um sujeito assim não cabe a gente argumentar. Cabe apenas transmitir-lhe as informações faltantes -- educá-lo, em suma. Mas, precisamente, ele não vai deixar você educá-lo, porque a ideologia de rebelde posudo que lhe incutiram desde pequeno o faz pensar que é mais bonito humilhar um professor do que aprender com ele. Eis como o menino inteligente se transforma num debatedor idiota, vacinado para todo o sempre contra qualquer conhecimento do assunto em debate.
As objeções cretinas nascem, decerto, de um impulso saudável. Não há mais notório sinal de inteligência filosófica do que a capacidade de perceber contradições, a sensibilidade para a presença de problemas. O brasileiro tem isso até demais. Contrariando o lugar-comum que afirma a nossa falta de vocação para a filosofia, eu diria que somos o povo mais filosófico do planeta. A prova disso é o nosso senso de humor. O engraçado nasce, como as perguntas filosóficas, da percepção de incongruências lógicas ou existenciais.
Mas que destino terá o jovem pensador que, a braços com o debate filosófico, se veja privado de uma perspectiva histórica, de uma visão da evolução das discussões, de um conhecimento enfim, do status quaestionis? Mesmo na doce hipótese de que por natural instinto de comedimento ele se recuse ao bate-boca estéril e prefira trancar-se em casa para raciocinar a sós, ele não passará nunca de um especulador maluco, de um novo Brás Cubas a rebuscar em vão soluções já mil vezes encontradas, a polemizar com as sombras de seus próprios enganos, a esgotar-se em perguntas estéreis e em tentativas de provar o impossível. Enfim, cansado e amedrontado de um mergulho solitário que não arrisca levá-lo senão ao hospício, ele aderirá, por mero instinto autoterapêutico, ao discurso padronizado mais à mão. Uma carteirinha do PC do B lhe dará um sentimento de retorno à condição humana. E não há nada mais perigoso no mundo do que um idiota persuadido da sua própria normalidade.
Tal é o destino da maior parte da nossa jovem inteligência.
Quem esteja consciente dessas coisas não poderá deixar de admitir que elas são a conseqüência inapelável da nossa incapacidade, ou recusa, de absorver o legado histórico da Europa e do mundo. Quanto mais nos "libertamos" de um passado que daria sentido de historicidade à nossa inteligência, mais nos tornamos escravos de uma atualidade invasiva que a desorienta e debilita.
Nesse sentido, os movimentos de "libertação" e de "independência", que cortaram nossas ligações com as raízes européias, não nos libertaram senão da base mesma da nossa autodefesa, para nos deixar, inermes e sonsos, à mercê das perturbadoras casualidades da mídia e da moda. Roubaram-nos o mapa do mundo, para nos deixar perdidos no meio de um deserto onde é preciso recomeçar sempre o caminho, de novo e de novo, para não chegar a parte alguma. Destituíram-nos do senso da hierarquia e das proporções, para nos tornar escravos de debates viciados e conjeturações ociosas que não nos deixam pensar nem agir.
Oferecer a um povo esse tipo de falsa libertação é algo que está, para mim, na escala dos grandes crimes, na escala do genocídio cultural. E não é de espantar que, no meio de tantas hesitações e equívocos, ninguém seja capaz de perceber a ligação óbvia entre esse tipo de iniciativas "modernizantes" e o estado catastrófico de uma cultura que se entrega sem reação, por mínima que seja, ao estupro midiático internacional. Não é de espantar que ninguém note o elo de cumplicidade -- secreta mas indissolúvel -- entre o fetichismo da independência estereotipada e a realidade da dependência crescente.
Não me perguntem portanto o que acho de Mários, Oswalds, Menottis, Bopps e tutti quanti, bem como de seus cultores e discípulos atuais que, desmantelando o idioma sob pretextos morbidamente artificiosos e pedantes, o entregam inerme nas mãos de quem faz dele a lixeira dos detritos do inglês midiático. Nem me peçam, em público, para opinar sobre quaisquer outros importadores de novidades culturais que de tempos em tempos refazem o Brasil no molde do último figurino.
Esse tipo de reformador cultural deslumbrado, que, sem uma autêntica visão universal das coisas e movido somente pela comichão de atualismo, quando não pela ânsia de épater le bourgeois, se mete a destruir valores que não compreende, é a praga mais nefasta que pode se abater sobre uma cultura em formação, induzindo-a a destruir as bases em que começava a se erguer e não pondo em seu lugar senão pseudo-valores efêmeros cuja rápida substituição abrirá cada vez mais, sob os pés dela, o abismo sem fim das duvidas ociosas e das perguntas cretinas.
Se queremos preservar e desenvolver a inteligência do nosso povo, em vez de a esfarelar em tagarelice estéril, o que temos de importar não é a novidade: é toda a História, é todo o passado humano. Temos de espalhar pelas ruas, pelos cartazes, pelos monumentos, pelas livrarias e pelas escolas as lições de Lao-Tsé e Pitágoras, Vitrúvio e Pacioli, Aristóteles e Platão, Homero e Dante, Virgílio e Shânkara, Rûmi e Ibn 'Arabi, Tomás e Boaventura.
Quem, antes de fortalecer a inteligência juvenil com esse tipo de alimento, a perturba e debilita com novidades indigeríveis, é nada menos que um molestador de menores, um estuprador espiritual. E, se o faz com intuito político ou comercial, o crime tem ainda o agravante do motivo torpe.
Nossa Alienada Conversão

Posso imaginar que aquele provavelmente foi um dos dias mais “badalados” em Jerusalém. Aquele que todos criam que fosse o Rei dos judeus estava sendo aclamado como tal. Os discípulos deveriam estar orgulhosos de estar ao lado daquele que haviam acompanhado por anos – provavelmente esperando que um dia esse reconhecimento acontecesse a seu mestre – e que agora parecia ser um dos homens mais importantes da região.
A aclamação era enfática:
"Bendito aquele que vem, o Rei, em nome do senhor!
Paz no céu e glória nos mais altos céus!"
A aclamação era enfática:
"Bendito aquele que vem, o Rei, em nome do senhor!
Paz no céu e glória nos mais altos céus!"
O palpitar alegre do coração dos discípulos não condizia com a raiva dos fariseus que contemplavam tal cena. O “blasfemador” que mais lhes provocava estava sendo aclamado Rei em nome do seu Deus. Acredito que de forma não muito educada eles pediram ordenaram – ou ao menos tentaram fazê-lo – que Jesus fizesse com que a multidão permanecesse silente.
“Eu vos digo, se eles não clamarem, as pedras gritarão.” Essa foi a resposta de Jesus àqueles que pediam para que os que o seguiam parassem de aclamar sua irrefutável glória perante os homens. É bem fácil pensar nesse relato e analisá-lo em outro contexto ou até mesmo condenar prontamente os fariseus. Entretanto, nossa vida cristã cotidiana provavelmente não nos conceda autoridade para que o façamos.
Vejo as tarjas, os adesivos dos carros, as camisetas, as canecas, os chaveiros, as agendas, as lembranças, os bonecos, as caixinhas de promessas (com textos selecionados/seccionados da Escritura), nossos devocionais fast-food e tudo o mais que o mercado evangélico tem colocado disponível a nós nos últimos tempos e algo começa a me preocupar – tudo parece muito fácil, e a grande questão é que fácil e simples não são sinônimos como gostaríamos que fossem. A vida cristã é essencialmente simples (“se com tua boca confessares e com teu coração creres para justiça então serás salvo”) mas isso não indica necessariamente que vivê-la seja fácil.
Como sempre acontece, essas coisas, em si mesmas, não são más, o problema é conosco. O que lhe parece mais fácil? Ler e reler e encher-se da escritura, imergir nas línguas originais, buscar diversas traduções, usar várias concordâncias e, acima de tudo, buscar a revelação especial por parte única e exclusivamente de Deus, o escritor maior de todo o Texto Sagrado; ou buscar o último lançamento devocional, ou, um dos conhecidos livros de auto-ajuda de Marco Aurélio, Lao Tse, Joseph Campbell, Dalai Lama, Antonhy Robbins, Paulo Coelho, Stephen Covey, Augusto Cury?
Nos “saciamos” com o que conheço por auto-ajuda cristã, aquela que nos diz dia a dia que o segredo para qualquer um de nossos problemas consiste basicamente na nossa vontade própria e no pensamento positivo (só não esqueça que de forma inexplicável, por essa ideologia, Deus ainda é soberano em sua vida). Esquecemos o centro que se resume em Deus e unicamente nele e tomamos aspectos periféricos – e muitas vezes heréticos - como se fosse à fonte da nossa vida cristã.
O que lhe parece mais fácil: buscar e esperar no Deus supremo a solução dos teus problemas ou ir atrás do primeiro livro de “resolução de problemas” ou “desenvolvendo seu potencial”? Sabe, quando ando pelas livrarias evangélicas e vejo os lançamentos e os mais vendidos, percebo que não estamos muito distantes das categorias de auto-ajuda. É tudo muito fácil: se eu estou com um problema, vou até a categoria do meu problema da livraria e compro o que me parecer mais de acordo com o que eu estou tendo. Buscar a Deus em oração dá muito trabalho.
Agora, analise comigo e responda a essa pergunta: você, no ano passado, leu mais a sua Bíblia ou livros cristãos diversos? Muitas vezes, quando eu vejo o grande número de “propagandas” do evangelho (você sabe, camisas, estampas, etc.) e comparo com a situação em termos de testemunho-vivo (que é o que deveríamos ser) do Evangelho, fico realmente com medo de imaginar que, na verdade, as coisas inanimadas (as pedras) já estão pregando em nosso lugar.
Você consegue ver? Como nós estamos hoje como cristãos? Eu conheço famílias que vão para a igreja e não se importam que os filhos vejam pornografia! Que crentes surgirão daí?! Ah, sim, mas todos saem de casa para igreja devidamente “paramentados” (vestidos, ou melhor, enfeitados), só faltam os pedaços da Escritura costurados nas roupas, pendurados, como os Fariseus faziam, para que a lei do Senhor estivesse sempre “diante deles”. Se você acha que é fiel a Deus porque sai todo dia de reunião com sua bíblia debaixo do braço para ir ao grande clube social no qual muitas igrejas estão se tornando, acho bom começar a pensar seriamente em rever o seu conceito de cristianismo.
Tudo o que nós temos, hoje, inclusive este artigo, é somente, e deve ser somente, para auxiliar; e o maior auxílio que eu posso dar a você é este: olhe para Jesus, o autor e consumador da nossa fé, que foi morto, mas ressuscitou e está assentado junto ao Pai.
Se nossa vida condiz com a filosofia de “deixar as “pedras” clamarem por mim”, Keith Green nos estarrece com sua declaração. Ele diz:
“Eu me arrependo de já ter gravado qualquer canção, e ter cantado em alguma noite, se minha música, e o mais importante, a minha vida, não provocou em você algo que o motivasse a um desejo de entregar-se completamente a Jesus!”
Entendam que o fato de estarmos juntos em uma comunidade cristã não nos torna cristãos. O fato de termos um lugar para nos reunirmos e aprendermos mais sobre Deus – um prédio que denominamos igreja - não nos torna cristãos, nem tão pouco uma igreja. O fato de conhecermos individualmente as riquezas de Cristo não nos torna cristãos. O que nos torna cristãos é uma comunhão além de qualquer explicação, que deve ser clamada e buscada muito além de nossos gostos pessoais e muito além de nossas raivas eternas. Deve ser segurada por uma compreensão com os fracos que sejam frutos da graça; e por um desejo de melhora que provenha da santidade.
“Eu me arrependo de já ter gravado qualquer canção, e ter cantado em alguma noite, se minha música, e o mais importante, a minha vida, não provocou em você algo que o motivasse a um desejo de entregar-se completamente a Jesus!”
Entendam que o fato de estarmos juntos em uma comunidade cristã não nos torna cristãos. O fato de termos um lugar para nos reunirmos e aprendermos mais sobre Deus – um prédio que denominamos igreja - não nos torna cristãos, nem tão pouco uma igreja. O fato de conhecermos individualmente as riquezas de Cristo não nos torna cristãos. O que nos torna cristãos é uma comunhão além de qualquer explicação, que deve ser clamada e buscada muito além de nossos gostos pessoais e muito além de nossas raivas eternas. Deve ser segurada por uma compreensão com os fracos que sejam frutos da graça; e por um desejo de melhora que provenha da santidade.
Ser cristão significa andar a segunda milha. Ser cristão significa conhecer o valor dos amigos, ainda que estes não revelem Cristo pra você (ótimo! Assim você não tem como deixar de ser AQUELE que vai revelar Cristo aos seus amigos!). Ser cristão nos leva a conhecer as profundidades do amor de Cristo no ambiente em que essa profundidade foi aplicada: em seres humanos falhos, rebeldes e pecadores como nós, os que precisam sempre de um toque novo da graça para entender que tal maravilhosa obra não depende de nós, de nosso esforço, de quem corre ou de quem que, mas de Cristo, a quem pertencem todas as riquezas da sabedoria, do amor, da plenitude e da suficiência.
Ser Cristão é fazer com que sua vida testemunhe por tudo que a graça Divina tem feito nele por sua rendição a vontade de um Deus soberano. É compreender que Deus não conhece argumento maior em favor do cristianismo que a sua atuação na vida dos seus. Ser Cristão e revela o nosso Senhor em cada ato e silenciar as pedras com o nosso testemunho.
Seremos seguidores de Cristo na medida em que sairmos do nosso ambiente de conforto para viver o Cristo Vivo em nosso meio, e assim o mundo saberá que somos de Deus.
[Esse texto é uma fusão dos escritos de Malthus Gonçalves e Michael Lima.]
Uma Perspectiva Pessoal Acerca do Sofrimento Humano e o Silêncio Divino
A dor, o sofrimento e o que chamamos de lágrimas estão sempre presentes no cenário do nosso cotidiano. Muitos chegam até mesmo a considerar que nossos pálidos momentos de tristeza são apenas a fuga do nosso constante momento de dor. Entre os que levantam essa visão, Arthur Schopenhauer sintetiza em perturbadoras linhas a realidade que muitas vezes tentamos ocultar. Ele afirma que “o sentido mais próximo e imediato de nossa vida é o sofrimento, e se não fosse assim, nossa existência seria o maior dos contra-sensos, pois é um absurdo imaginar que a dor infinita, que nasce da necessidade essencial à vida, da qual o mundo está pleno, é meramente acidental e sem sentido. Nossa receptividade para a dor é quase infinita, mas o mesmo não ocorre com a nossa receptividade para o prazer, que tem limites estreitos. É a infelicidade em geral que é a regra, embora a infelicidade individual apareça como exceção”.
Seguindo tal raciocínio, vemos que a vida não passa de uma penitência sem sentido, um local onde o existir revela que a liberdade de um ciclo de dor ainda não aconteceu. Sob a perspectiva cristã, tais pensamentos se rebelem como um ultraje a todo o contexto bíblico. A tão pregada teologia da prosperidade faz com que essas linhas pareçam contraditórias para pessoas que vêem no cristianismo um amuleto contra qualquer intempérie da vida. Entretanto, a própria Bíblia parece contradizer esse pensamento. Principalmente quando nos voltamos aos escritos de Salomão. Uma de suas frases, em seu livro de Eclesiastes, desdenha de tal afirmação. Descrevendo que “há uma vaidade que se faz sobre a terra: há justos que são tratados conforme a conduta dos ímpios e há ímpios que são tratados conforme a conduta dos justos. Digo que isso também é vaidade.” [1]
Salomão escandaliza o pacto platônico que firmamos com Deus a partir do momento em que decidimos estar a seu lado. Pacto que é fruto de nossa herança teológica adquirida sob premissas equivocadas durante o decorrer dos anos. A promessa que assegura a inexistência de sofrimento na vida dos eleitos de Deus é inexistente e irreal. E em meio ao real estado da dor, os cristão – e principalmente eles por velarem pelo consolo de seu Deus – vêem-se desamparados.
Entretanto, o sofrimento não é o único parâmetro que traz a sensação de desalento à tona, o aparente silêncio de Deus faz com que voltemo-nos com ira e irreverente descrença a Seu nome. Em momentos que nossas crenças parecem se contrariar, procuramos por respostas. Referenciamos todas as nossas indagações e injúrias ao único que consideramos capaz de respondê-las .
C. S. Lewis, escreve após uma das maiores perdas de sua vida, após clamar a Deus e não obter resposta:
“Se Deus é soberano, se Ele realmente é encarregado do universo e se Ele realmente me ama, como pode permitir que eu sofra tanto? Ou Ele não me ama ou Ele não está no controle ou Ele realmente não existe.”
O desejo de encontrar a um Deus, que aparentemente esconde a sua face nos momentos de tristeza, visitou muitas épocas e ainda paira em nossa geração. Contudo, mesmo tendo em vista essa calamidade presente deveríamos lembrar que, segundo as palavras de George MacDonald, “tudo que existe de difícil indica algo mais que nossa teoria de vida consegue abarcar.”.
Embora os porquês existam, sabemos que muitos deles não serão respondidos enquanto o próprio Criador do universo não as responder conforme a Sua vontade. Ainda sim, mesmo sem tais respostas, podemos conduzir tais indagações a algumas conclusões óbvias, mas que não aparentam ser em momentos desoladores.
Seria interessante analisar que “o sofrimento não significa necessariamente um castigo Divino, e a felicidade não indica um sinal de Sua bênção.” [2] Estereótipos como lágrimas e sorrisos jamais deveriam ser utilizados como indicadores da benevolência e aprovação Divina. O mesmo Salomão que traz à tona mais uma das coisas vãs de nossa existência, discorre sobre uma das mais diretas contestações a tal fomentação.
Um pecador sobrevive mesmo que cometa cem vezes o mal. Mas sei que também há o bem para os que temem a Deus, por que eles O temem; mas que não há bem para os ímpios e que, como a sombra, não prolongará seus dias, porque não temem a Deus. Ec 8. 12-13.
É bem verdade que existem “muitas pessoas que tiram suas conclusões sobre a vida como aluninhos do ensino fundamental. Enganam seu mestre copiando respostas de algum livro sem terem eles mesmos trabalhado para atingir o resultado final.” [3] São essas "crianças" que trazem, aos aflitos, um julgo maior que o da própria tribulação.
Mesmo ante esse desconcertante cenário, almejamos um lugar onde os justos estarão apascentados da dor, repousando ao lado de Seu Deus. “Por isso não nos deixamos abater. Pelo contrário, embora em nós, o homem exterior vá caminhando para a sua ruína, o homem interior se renova dia a dia. Pois as nossas tribulações momentâneas são leves em relação ao peso eterno de glória que elas nos preparam até o excesso. Não olhamos para as coisas que se vêem, mas para as que não se vêem; pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno.” [4]
Mesmo vivendo sob tal perspectiva “as mais difíceis indagações da vida nunca são “removidas” (nunca ficamos sabendo por que Deus faz isso ou aquilo, por que um avião cai ou acontece um desastre numa mina). Mas somos “redimidos” do poder destrutivo dessas perguntas. O pânico não mais pode nos surpreender quando não entendemos o sentido daquilo que Deus permite que nos aconteça. O seu amor não mais nos confundirá; aprendemos a crer naquele amor mesmo quando não compreendemos os meios que aquele amor escolhe para expressar. “[5]
Nossas tribulações parecem ser aliviadas pois sabemos que “o fim de toda nossa exploração será chegar ao ponto de partida e conhecê-lo pela primeira vez”.[6]
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[1] Ec 8. 14
[2] Jacques Doukhan.
[3] Sören Kierkegaard.
[4] 2 Co 4. 16-18.
[5] Helmut Thielicke.
[6] T. S. Eliot.
Seguindo tal raciocínio, vemos que a vida não passa de uma penitência sem sentido, um local onde o existir revela que a liberdade de um ciclo de dor ainda não aconteceu. Sob a perspectiva cristã, tais pensamentos se rebelem como um ultraje a todo o contexto bíblico. A tão pregada teologia da prosperidade faz com que essas linhas pareçam contraditórias para pessoas que vêem no cristianismo um amuleto contra qualquer intempérie da vida. Entretanto, a própria Bíblia parece contradizer esse pensamento. Principalmente quando nos voltamos aos escritos de Salomão. Uma de suas frases, em seu livro de Eclesiastes, desdenha de tal afirmação. Descrevendo que “há uma vaidade que se faz sobre a terra: há justos que são tratados conforme a conduta dos ímpios e há ímpios que são tratados conforme a conduta dos justos. Digo que isso também é vaidade.” [1]
Salomão escandaliza o pacto platônico que firmamos com Deus a partir do momento em que decidimos estar a seu lado. Pacto que é fruto de nossa herança teológica adquirida sob premissas equivocadas durante o decorrer dos anos. A promessa que assegura a inexistência de sofrimento na vida dos eleitos de Deus é inexistente e irreal. E em meio ao real estado da dor, os cristão – e principalmente eles por velarem pelo consolo de seu Deus – vêem-se desamparados.
Entretanto, o sofrimento não é o único parâmetro que traz a sensação de desalento à tona, o aparente silêncio de Deus faz com que voltemo-nos com ira e irreverente descrença a Seu nome. Em momentos que nossas crenças parecem se contrariar, procuramos por respostas. Referenciamos todas as nossas indagações e injúrias ao único que consideramos capaz de respondê-las .
C. S. Lewis, escreve após uma das maiores perdas de sua vida, após clamar a Deus e não obter resposta:
“Se Deus é soberano, se Ele realmente é encarregado do universo e se Ele realmente me ama, como pode permitir que eu sofra tanto? Ou Ele não me ama ou Ele não está no controle ou Ele realmente não existe.”
O desejo de encontrar a um Deus, que aparentemente esconde a sua face nos momentos de tristeza, visitou muitas épocas e ainda paira em nossa geração. Contudo, mesmo tendo em vista essa calamidade presente deveríamos lembrar que, segundo as palavras de George MacDonald, “tudo que existe de difícil indica algo mais que nossa teoria de vida consegue abarcar.”.
Embora os porquês existam, sabemos que muitos deles não serão respondidos enquanto o próprio Criador do universo não as responder conforme a Sua vontade. Ainda sim, mesmo sem tais respostas, podemos conduzir tais indagações a algumas conclusões óbvias, mas que não aparentam ser em momentos desoladores.
Seria interessante analisar que “o sofrimento não significa necessariamente um castigo Divino, e a felicidade não indica um sinal de Sua bênção.” [2] Estereótipos como lágrimas e sorrisos jamais deveriam ser utilizados como indicadores da benevolência e aprovação Divina. O mesmo Salomão que traz à tona mais uma das coisas vãs de nossa existência, discorre sobre uma das mais diretas contestações a tal fomentação.
Um pecador sobrevive mesmo que cometa cem vezes o mal. Mas sei que também há o bem para os que temem a Deus, por que eles O temem; mas que não há bem para os ímpios e que, como a sombra, não prolongará seus dias, porque não temem a Deus. Ec 8. 12-13.
É bem verdade que existem “muitas pessoas que tiram suas conclusões sobre a vida como aluninhos do ensino fundamental. Enganam seu mestre copiando respostas de algum livro sem terem eles mesmos trabalhado para atingir o resultado final.” [3] São essas "crianças" que trazem, aos aflitos, um julgo maior que o da própria tribulação.
Mesmo ante esse desconcertante cenário, almejamos um lugar onde os justos estarão apascentados da dor, repousando ao lado de Seu Deus. “Por isso não nos deixamos abater. Pelo contrário, embora em nós, o homem exterior vá caminhando para a sua ruína, o homem interior se renova dia a dia. Pois as nossas tribulações momentâneas são leves em relação ao peso eterno de glória que elas nos preparam até o excesso. Não olhamos para as coisas que se vêem, mas para as que não se vêem; pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno.” [4]
Mesmo vivendo sob tal perspectiva “as mais difíceis indagações da vida nunca são “removidas” (nunca ficamos sabendo por que Deus faz isso ou aquilo, por que um avião cai ou acontece um desastre numa mina). Mas somos “redimidos” do poder destrutivo dessas perguntas. O pânico não mais pode nos surpreender quando não entendemos o sentido daquilo que Deus permite que nos aconteça. O seu amor não mais nos confundirá; aprendemos a crer naquele amor mesmo quando não compreendemos os meios que aquele amor escolhe para expressar. “[5]
Nossas tribulações parecem ser aliviadas pois sabemos que “o fim de toda nossa exploração será chegar ao ponto de partida e conhecê-lo pela primeira vez”.[6]
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[1] Ec 8. 14
[2] Jacques Doukhan.
[3] Sören Kierkegaard.
[4] 2 Co 4. 16-18.
[5] Helmut Thielicke.
[6] T. S. Eliot.
Carta de João Calvino a Lutero (Escrita em 21 de Janeiro de 1545)

Ao mui excelente pastor da Igreja Cristã, Dr. M. Lutero, [1] meu tão respeitado pai. Quando disse que meus compatriotas franceses, [2] que muitos deles foram tirados da obscuridade do Papado para a autêntica fé, nada alteraram da sua pública profissão, [3] e que eles continuam a corromper-se com a sacrílega adoração dos Papistas, como se eles nunca tivessem experimentado o sabor da verdadeira doutrina, fui totalmente incapaz de conter-me de reprovar tão grande preguiça e negligência, no modo que pensei que ela merece. O que de fato está fazendo esta fé que mente sepultando no coração, senão romper com a confissão de fé? Que espécie de religião pode ser esta, que mente submergindo sob semelhante idolatria? Não me comprometo, todavia, de tratar o argumento aqui, pois já o tenho feito de modo mais extenso em dois pequenos tratados, em que, se não te for incomodo olha-los, perceberá o que penso com maior clareza que em ambos, e através da sua leitura encontrará as razões pelas quais tenho me forçado a formar tais opiniões; de fato, muitos de nosso povo, até aqui estavam em profundo sono numa falsa segurança, mas foram despertados, começando a considerar o que eles deveriam fazer. Mas, por isso que é difícil ignorar toda a consideração que eles têm por mim, para expor as suas vidas ao perigo, ou suscitar o desprazer da humanidade para encontrar a ira do mundo, ou abandonando as suas expectativas do lar em sua terra natal, ao entrar numa vida de exílio voluntário, eles são impedidos ou expulsos pelas dificuldades duma residência forçada.
Eles têm outros motivos, entretanto, é algo razoável, pelo que se pode perceber que somente buscam encontrar algum tipo de justificativa. Nestas circunstâncias, eles se apegam na incerteza; por isso, eles estão desejosos em ouvir a sua opinião, a qual eles merecem defender com reverência, assim, ela servirá grandemente para confirmar-lhes. Eles têm me requisitado de enviar um mensageiro confiável até você, que pudesse registrar a sua resposta para nós sobre esta questão. Pois, penso que foi de grande conseqüência para eles ter o benefício de sua autoridade, para que não continuem vacilando; e eu mesmo estou convicto desta necessidade, estive relutante de recusar o que eles solicitaram.
Agora, entretanto, mui respeitado pai, no Senhor, eu suplico a ti, por Cristo, que você não despreze receber a preocupação para sua causa e minha; primeiro, que você pudesse ler atentamente a epistola escrita em seu nome, e meus pequenos livros, calmamente e nas horas livres, ou que pudesse solicitar a alguém que se ocupasse em ler, e repassasse a substância deles a você. Por último, que você escrevesse e nos enviasse de volta a sua opinião em poucas palavras. De fato, estive indisposto em incomodar você em meio de tantos fardos e vários empreendimentos; mas tal é o seu senso de justiça, que você não poderia supor que eu faria isto a menos que compelido pela necessidade do caso; entretanto, confio que você me perdoará.
Quão bom seria se eu pudesse voar até você, pudera eu em poucas horas desfrutar da alegria da sua companhia; pois, preferiria, e isto seria muito melhor, conversar pessoalmente com você não somente nesta questão, mas também sobre outras; mas, vejo que isto não é possível nesta terra, mas espero que em breve venha a ser no reino de Deus. Adeus, mui renomado senhor, mui distinto ministro de Cristo, e meu sempre honrado pai. O Senhor te governe até o fim, pelo seu próprio Espírito, que você possa perseverar continuamente até o fim, para o benefício e bem comum de sua própria Igreja.
Extraído de Letters of John Calvin: Select from the Bonnet Edition with an introductory biographical sketch (Edinburgh, The Banner of Truth Trust, 1980), pp. 71-73.
[1] - Nota do tradutor: O especial interesse por esta carta, pelo que sabemos, é que ela é a única que Calvino escreveu a Lutero.
[2] - Nota do tradutor: Pelo que parece Calvino se refere aos huguenotes que embora haviam assumido o compromisso com uma confissão de fé reformada, mas na prática ainda preservavam os ídolos, toda a pompa e ritual da missa católica romana. Esta prática evidenciava uma incoerência entre o ato e a convicção de fé.
[3] - Nota do tradutor: Calvino se refere ao culto como uma confissão pública de fé.
Renovando Vossas Mentes

Por todo o decorrer da história (salvo por raras exceções) o ônus da busca humana chamava-se conhecimento, o anseio unívoco de todas as classes de estudiosos e intelectuais. A mesma fomentação existia no meio teológico e ainda permeia tais âmbitos.
Os séculos passaram e o conhecimento das ciências humanas progrediu, bem como a nossa verdade teológica. O conhecimento que obtínhamos multiplicou e cresce de forma surpreendente. Entretanto, contrariando a lógica predefinida, mesmo tento acesso ao conhecimento em uma escala assustadoramente maior que em tempos passados, muitos negligenciam o lapidar de sua mente através da perspectiva cognitiva. A problemática mais agravante nesse quadro é o fato dessa negligência está inclusa na mentalidade da maioria da comunidade cristã.
Charles Malik, em seu discurso na inauguração do Billy Graham Center, no campus da Wheaton College, declara que nosso papel como cristãos é “salvar a alma e a mente”. Malik diz:
"Devo ser franco com vocês: o atiintelectualismo é o maior perigo que o cristianismo evangélico americano enfrenta. A mente, compreendida em suas maiores e mais profundas faculdades, não tem recebido suficiente atenção.[...] O resultado é que o terreno do pensamento é abandonado e entregue a satanás. Quem, entre os evangélicos, pode enfrentar os grandes estudiosos em seus próprios termos acadêmicos?[...] Por uma maior eficácia no testemunho de Jesus Cristo, bem como em favor de sua causa, os evangélicos não podem se dar ao luxo de continuar vivendo na periferia da existência intelectual responsável."
"Devo ser franco com vocês: o atiintelectualismo é o maior perigo que o cristianismo evangélico americano enfrenta. A mente, compreendida em suas maiores e mais profundas faculdades, não tem recebido suficiente atenção.[...] O resultado é que o terreno do pensamento é abandonado e entregue a satanás. Quem, entre os evangélicos, pode enfrentar os grandes estudiosos em seus próprios termos acadêmicos?[...] Por uma maior eficácia no testemunho de Jesus Cristo, bem como em favor de sua causa, os evangélicos não podem se dar ao luxo de continuar vivendo na periferia da existência intelectual responsável."
Como ousar ganhar pessoas para Cristo sem ao menos nos preocupar em salvar a mente dessas pessoas? E como poderemos ser instrumentos para salvar suas mentes estando vazios de conhecimento? Como mostrar Cristo em nosso intelecto com pensamentos que não passam de devaneios?
Em The Screwtape Letters, C.S. Lewis apresenta o demônio Screwtape lembrando a seu “tentador junior”, Wormwood, como impedir que seu “paciente” humano se torne um cristão. Screwptape adverte Wormwood a não argumentar com o paciente, pois o raciocínio conduz ao debate em território onde o inimigo (Deus) também pode operar. Screwtape diz:
"Pelo próprio ato de argumentar se desperta a razão do paciente, e, uma vez acordado, quem pode prever o resultado? Mesmo se uma parte específica do pensamento for de forma que termine a nosso favor, você descobrirá que se fortaleceu em seu paciente o hábito fatal de prestar atenção aos assuntos universais e se retirou dele atenção ao fluxo do sentido das experiências imediatas. Seu negócio é fixar a atenção dele no fluxo. Ensine-o a chamar isso de “a vida real” e não o deixe perguntar o que significa “verdade”."
"Pelo próprio ato de argumentar se desperta a razão do paciente, e, uma vez acordado, quem pode prever o resultado? Mesmo se uma parte específica do pensamento for de forma que termine a nosso favor, você descobrirá que se fortaleceu em seu paciente o hábito fatal de prestar atenção aos assuntos universais e se retirou dele atenção ao fluxo do sentido das experiências imediatas. Seu negócio é fixar a atenção dele no fluxo. Ensine-o a chamar isso de “a vida real” e não o deixe perguntar o que significa “verdade”."
A inércia de nosso crescimento intelectual colabora para que mentes sedentas de verdade e libertação pereçam à procura do bem maior. O anuviar de nossas idéias contribui não só para a nossa debilidade ao discipulado, como também em nossa percepção do sobrenatural, do que nos aguarda. Não preparar-nos para entender o mundo ao nosso redor é não almejar entender o universo que está acima de nossa atmosfera, entender a nova terra. Atentar para a mente é atentar para a parte de nosso corpo pela qual Deus fala, renovar o homem interior, a essência que ainda vive. Renovar a nossa mente é estar mais apto para entender a vontade de Deus, estar mais bem preparados para sua sábia filosofia. Buscar elevar nosso homem cognitivo é atender aos apelos de um eleito de Deus, o apóstolo que foi usado para converter judeus e gregos, sábios e simples, usado para ampliar a visão teológica de sua época. Nenhum outro consegue resumir o cerne da mensagem de apelo à renovação da mente, por tal motivo, suas palavras deveriam ser sobremaneira relevada.
"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito." Romanos 12.2
"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito." Romanos 12.2
Não Te Desvies do Alvo

Quando escolheres teu caminho
Não te esqueças d`aonde queres ir
Não Desdenhe de tua necessidade
De ter um alvo bem antes de partir.
Os homens se perdem facilmente,
Esquecem do que primeiro desejaram,
Abandonam seus sonhos mais bonitos
E traem as esperanças que buscaram.
No entanto, um homem de verdade,
Não obstante seja falho e defeituoso,
Fará valer a pena sua vida
No sacrifício por um mundo belo e novo.
E as lágrimas que tiver de derramar
E os prazeres que deixar pela esperança
Dar-lhe-ão à alma já cansada
A graça pueril de uma criança.
Não te esqueças d`aonde queres ir
Não Desdenhe de tua necessidade
De ter um alvo bem antes de partir.
Os homens se perdem facilmente,
Esquecem do que primeiro desejaram,
Abandonam seus sonhos mais bonitos
E traem as esperanças que buscaram.
No entanto, um homem de verdade,
Não obstante seja falho e defeituoso,
Fará valer a pena sua vida
No sacrifício por um mundo belo e novo.
E as lágrimas que tiver de derramar
E os prazeres que deixar pela esperança
Dar-lhe-ão à alma já cansada
A graça pueril de uma criança.
Sua consciência mesmo não imaculada,
Será limpa e seu sono mais sereno
E o coração que pulsa no seu peito
Pulsará por seu compromisso pleno
De defender a verdade, o bem, a fé;
De a cada dia ser melhor que no anterior;
De alcançar aos ainda inalcançados
De ser em vida a forma humana do amor.
Quando chegares ao fim do teu caminho
Não esqueças por onde já passaste.
Avalia mui cuidadosamente
Em tua trilha as pegadas que deixaste,
Então escreve todos os conselhos
Que possam guiar outros viajantes
Que queiram chegar aonde tu chegaste
Sendo tão frágeis quanto tu já foste antes.
Todos os homens que empreendem esta viagem
Não te esqueças, estão ligados de algum modo!
Todos vêem os mesmo lírios no caminho
Todos sujam os pés no mesmo lodo.
O caminho, é claro, vale muito.
Mas o alvo é que faz a diferença
Entre aqueles que se perdem para sempre
E aqueles que mantêm firme sua crença.
(Enviada a mim em 28/02/2007. Escrito por David Ben Schwantes em 09/09/2006, destinada a seus discípulos.)
Oração da Manhã
“Deus, a ti clamo de manhã bem cedo.
Ajuda-me a orar e concentrar meus pensamentos, pois não consigo fazer isso sozinho.
Dentro de mim está escuro, mas em ti há luz.
Eu estou só, mas tu não me abandonas.
Eu estou desanimado, mas em ti há auxílio.
Eu estou inquieto, mas em ti há paz.
Em mim há amargura, mas em ti há paciência.
Não entendo os teus caminhos, mas tu conheces o caminho certo para mim”.
(Escrita na prisão pelo teólogo Dietrich Bonhoeffer, morto na forca por Hitler no dia 09/04/1945).
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